Para reinar comodamente sobre um território, com a aprovação do povo, há que amar profundamente a paisagem. Ou pelo menos simular o amor.
E assim demonstrar uma identificação total com o património mais vital e arcaico de cada nação: a paisagem.
Para legitimar-se, o poder busca na paisagem elos emocionais entre si e os seus súbditos. Todos os governantes que desejam não ficar esquecidos pelos livros de história sabem cantar a sua paisagem, exaltá-la, glorificá-la. Sabem que só assim serão verdadeiramente amados e obedecidos - e terão, como desejam, caminho aberto para materializar os mais abomináveis projectos.
A identidade nacional forja-se muitas vezes através da imposição emocional de uma noção de paisagem aos habitantes de uma mesma nação. Nestes casos, faz-se um uso ideológico da paisagem.
Passível de ser manipulada, a paisagem é um instrumento eficaz ao serviço do poder, capaz de influir no modo como a identidade subjectiva e social é formada. Capaz de levar a uma identificação profunda e irracional, portanto eficaz, com o(s) poder(osos).





É curiosissima a indiferença (?) dos antigos pela ‘paisagem’ (nem havia a palavra), pelo ‘pitoresco’ (outra palavra ‘recente’, que nasce ‘da’ arte (pintura) mas quando a técnica já acordou. Não há textos medievais a ‘celebrar’ a paisagem, a ‘natureza’. As coisas estavam simplesmente ali,