Plaça de Sant Felip Neri, Barcelona, 2009, Pedro Duarte

A guerra civil espanhola ficou gravada, ou cravada através das suas balas, nesta fachada que nos permite reviver os fusilamentos das tropas franquistas.

A nossa memória constrói-se através das experiências que temos no mundo material que nos rodeia; mais precisamente nos lugares, arquitecturas e monumentos que formam as suas paisagens. As memórias, sejam elas individuais ou colectivas, sedimentam-se pois nas paisagens de que fazemos parte. Portanto, qualquer intervenção que hoje se faça na paisagem irá necessariamente interferir com a forma como a nossa memória é construída.

Essa interferência é naturalmente mais profunda quando a intervenção seja realizada em lugares de memória. Nestes lugares, autênticas falhas no espaço que abrem ao sujeito contemporâneo a possibilidade de evocar tempos passados, cada intervenção na paisagem é parcialmente responsável pela forma como decorre a relação que indivíduos do presente constroem com tempos passados. Por outro lado, cada uma destas intervenções contemporâneas corre o risco de transformar, em função de conceitos e ideologias do presente, a substância material que nos comunica o passado: o que ela se arrisca a deformar é o próprio passado.