Se o espaço é essencialmente contínuo, a paisagem é pelo contrário fragmentária, variando de acordo com quem a está a usar, com o modo como é valorizada, categorizada, subdividida e com as diferentes estratégias (políticas, económicas, sociais, religiosas, ideológicas) em que é integrada. Referindo-se à paisagem, Tim Ingold sublinhava: “It is not ‘land’, it is not ‘nature’, and it is not ‘space’.”

Para este antropólogo, a característica determinante da paisagem reside no seu carácter qualitativo (simbólico, temporal, social) e na sua heterogeneidade, resultantes de uma profunda interactividade com as pessoas – os agentes que a constroem, usam, transformam e habitam. Deste ponto de vista, a paisagem não é uma realidade uniforme, universal, neutra ou abstracta, mas o produto contextual de relações culturais, sociais, políticas e económicas.