Vladimir Putin nas férias, Kryzyl (Sibéria), 2009, Alexey Druzhinin

Para reinar comodamente sobre um território, com a aprovação do povo, há que amar profundamente a paisagem. Ou pelo menos simular o amor. 

E assim demonstrar uma identificação total com o património mais vital e arcaico de cada nação: a paisagem. 

Cavaco Silva nas férias, São Miguel (Açores), 2010, Eduardo Costa

Para legitimar-se, o poder busca na paisagem elos emocionais entre si e os seus súbditos. Todos os governantes que desejam não ficar esquecidos pelos livros de história sabem cantar a sua paisagem, exaltá-la, glorificá-la. Sabem que só assim serão verdadeiramente amados e obedecidos – e terão, como desejam, caminho aberto para materializar os mais abomináveis projectos.  

O castelo no rio Donau (Áustria), 9,7 x 7 cm, 1909, Adolf Hitler

 A identidade nacional forja-se muitas vezes através da imposição emocional de uma noção de paisagem aos habitantes de uma mesma nação. Nestes casos, faz-se um uso ideológico da paisagem.

Passível de ser manipulada, a paisagem é um instrumento eficaz ao serviço do poder, capaz de influir no modo como a identidade subjectiva e social é formada. Capaz de levar a uma identificação profunda e irracional, portanto eficaz, com o(s) poder(osos).

Retrato do Marquês de Pombal, 1766, Louis Michel van Loo