De todas as paisagens contemporâneas, há uma que passa despercebida por quase toda a gente. E é talvez, de todas, a mais exuberante: o campo em flor.

Como é habitual no mês de Maio, fui ontem com o José Salgueiro ao campo, colher ervas, para conservar para o resto do ano e usar em óleos, comidas ou chás (ele, como nos outros anos, mostrou-me que nem os seus 92 anos lhe roubam o vigor e a energia com os quais nunca poderei nem de perto competir).

Apanhei alguma erva de São João (ou hipericão), já razoavelmente madura, que habitualmente uso para fazer o óleo com que trato a minha psoríase. Também apanhei bastante erva de São Roberto e salva em flor, com a qual costumo fazer chás deliciosos, que também uso para tratar as primeiras ameaças de amigdalite, que costumam surgir com a chegada do Inverno.

Fiquei ainda a conhecer algumas ervas que, na minha ignorância resultante de ter crescido entre betão, fumo e alcatrão, desconhecia: o hissopo, a arruda e a cebola-albarrã. Para o combate a esta ignorância, que até aos meus vinte e picos me impedia de me curar sem ter de dar um generoso contributo à indústria farmacêutica – da qual quase todos estamos mais do que nunca reféns -, recomendo a leitura do livro de um verdadeiro mestre das ervas alentejanas:

Aos interessados, posso adiantar que José Salgueiro não se deita antes da madrugada, por estar a preparar novo livro, sobre aquilo a que chama alimentação saudável. Estou certo de que somos muitos à espera que o termine.