Da série 'Paisagens da Batalha do Ebro', rio Ebro, 2008, Joan Villaplana

Poderia resumir numa curta frase o impacto do trabalho de Joan Villaplana na minha vida: abalou profundamente o meu modo de olhar em redor, de ler e descobrir o mundo à minha volta, tal como o homem o transforma e transformou. Esta série de posts resultará, no entanto, de mais do que da merecida homenagem à singularidade da sua obra inesgotável, que vou descobrindo de ano para ano, com um espanto incontido que nunca fui capaz de esconder-lhe (ao Joan). Resultará também da minha forma subjectiva de ver uma obra que por sua vez influencia decisivamente a minha própria forma de ver. Como bem demonstrou o filósofo Nelson Goodman na sua obra-prima de 1978 (Ways of worldmaking), aquilo que vemos mesmo à nossa frente depende de uma série complexa de circunstâncias e factores – e é por isso que nem todos vemos as mesmas coisas. No meu caso, tenho de confessar-te, Joan, que depende, em grande medida, do teu trabalho, do teu olho, da tua sensibilidade, da tua inteligência. Se tenho hoje vontade de olhar para o mundo lá fora e de buscar compreendê-lo, é graças ao estímulo das tuas fotografias.

Da série 'Paisagens da Batalha do Ebro', rio Ebro, 2008, Joan Villaplana

O olhar que J. Villaplana estende àquilo que (n)o(s) rodeia denota sempre uma mesma frontalidade, mas também subtileza – e a mim interessam-me as duas por igual. A sua formação académica em Humanidades deu-lhe um redobrado interesse pelo real enquanto matéria (polémica porque) usada e abusada pelas pessoas durante a construção simbólica dos seus mundos, humanizados graças àquilo que os antropólogos muito abstractamente decidiram chamar cultura. As fotografias de Joan falam-nos por isso muito pouco do Mundo – e quão desinteressante ele, afinal, é. Falam-nos, isso sim, da diversidade de mundos que as pessoas vão construindo e destruindo dentro do Mundo que fanáticos cristãos e fanáticos marxistas (que nunca chegaram a entender Marx) julgam ser unívoco.

Da série 'Paisagens da Batalha do Ebro', rio Ebro, 2008, Joan Villaplana

Começo esta nova série com o trabalho de Joan sobre as paisagens da decisiva Batalha do Ebro, a mais importante e sangrenta de toda a Guerra Civil Espanhola (1936-9). As suas fotos, de uma margem para a outra do rio, revelam muito mais do que simplesmente aquilo que faria parte da experiência visual dos intervenientes da batalha mencionada. 

Da série 'Paisagens da Batalha do Ebro', rio Ebro, 2008, Joan Villaplana

Estas e outras fotos deste trabalho podem ser consultadas na página Web, da autoria de Roger Roca,  www.darreresbatalles.com/es/joan_villaplana.php .