… mas como não são, é natural que dezenas de genocídios continuem a ocorrer num silêncio tão curiosamente característico desta nossa sociedade da informação e do conhecimento. Das televisões 24 horas ligadas à corrente.

Esta sociedade global odeia profundamente a alteridade, a diferença, o questionamento da norma(lidade). É exactamente por isso que é cúmplice de tantos extermínios.

A diversidade cultural deverá pois restringir-se aos ensaios de etnologia e arqueologia; e às apetitosas prateleiras da Fnac.

No entanto, sem diversidade cultural não há paisagens. Há sim, meramente, a Paisagem única e homogénea do capital, dos economistas, dos não-lugares, dos não-humanos, dos Cavacos Silvas, da especulação, do espectáculo (debordiano), da unidimensionalidade (marcuseana), do controlo (foucaultiano), dos investidores, dos industriais, dos consumidores, do FMI, do Banco Mundial, da agro-indústria, da OMC, da UE, da banca.