José Sócrates era um amante da paisagem, como todos pudemos descobrir através dos seus célebres projectos de engenheiro sério e competente, responsáveis pelo embelezamento das aldeias do interior. Se já se esqueceu deles, pode sempre revê-los aqui: http://static.publico.clix.pt/docs/politica/projectossocrates/index.html .

Passos Coelho parece não querer ficar atrás de Sócrates, como demonstra a sua passagem, entre 2004 e 2009, pela perversa Fomentinvest, ‘holding’ liderada por Ângelo Correia que concebe o ambiente e a sustentabilidade exclusivamente como motivos para fazer negócios apetecíveis. É o próprio site da Fomentinvest que anuncia sem qualquer pudor:

“A FOMENTINVEST, SGPS, SA é inspirada pelas oportunidades de criação de valor nos novos mercados do ambiente e energia onde assume papel de líder e é pioneira. Investe como promotor, parceiro financeiro e gestor no desenvolvimento de negócios, nas áreas preferenciais do Ambiente, da Energia, Alterações Climáticas, Mercados de Carbono e da Sustentabilidade”.

Está visto o que representa a paisagem para Passos Coelho: uma grande oportunidade para pôr o capital anónimo a circular, a rentabilizar, a multiplicar. Não é difícil de imaginar os conceitos que o ultra-liberal P. Coelho terá em mente quando pensar, como Primeiro Ministro, o destino das nossas paisagens: mercadoscriação de valor, negócios, parceiros financeiros. O Dubai é o seu modelo acabado. 

Um dia precisaremos mesmo dos submarinos de P. Portas para irmos ao fundo do mar procurar as últimas paisagens portuguesas não contaminadas pelo capital.