Da série 'Metropolis', Bruxelas, 2004-7, Joan Villaplana

Em Metropolis, Joan Villaplana regista magistralmente um dos momentos mais teatrais e inconscientemente encenados da nossa vida quotidiana: a espera no metropolitano – momento em que ensaiamos poses e exibimos indumentárias, mais ou menos adequadas à vida pública. 

Durante anos, Joan fotografou sem zoom aqueles que, na plataforma oposta à sua, solitariamente ou acompanhadamente, esperavam pela chegada do comboio.

Da série 'Metropolis', Paris, 2004-7, Joan Villaplana

A espera sobre um palco, com cenários sempre diversos, é o tema central de Metropolis.

Da série 'Metropolis', Paris, 2004-7, Joan Villaplana

Animando um sub-mundo, um universo subterrâneo conquistado pelo homem à geologia, as plataformas das estações são arquitecturas cuja beleza advém da iluminação que recebem, mas também da forma como irrompem abruptamente de um nada escuro, assustadoramente vazio. Este contraste entre o nada silencioso da escuridão e a luz humanizadora dos espaços, entre o espaço sem nome e o lugar, marca todas as fotografias desta maravilhosa colecção de encenações espontâneas.

Da série 'Metropolis', Madrid, 2004-7, Joan Villaplana

Ao contrário do que já li sobre este trabalho que J. Villaplana desenvolveu ao longo de vários anos em que viajou por diversas metrópoles da Europa ocidental, ele não documenta apenas a vida quotidiana de indivíduos atomizados, sem nenhum tipo de relação entre si.

Os actores desta peça de teatro, em que praticamente todos participamos, são também os agentes sociais que, em conjunto, dão uma  forma estruturada à sociedade. Na aparência, eles não querem saber uns dos outros; pouco lhes importa o que fazem os restantes transeuntes enquanto esperam por um meio de transporte que normalmente não tarda em chegar. 

Da série 'Metropolis', Marselha, 2004-7, Joan Villaplana

Mas isso é apenas a aparência: na prática são raros os que permanecem insensíveis às convenções e normas de comportamento em vigor, às linguagens operativas no dia-a-dia, enfim, à semiótica do mundo contemporâneo.

Da série 'Metropolis', Paris, 2004-7, Joan Villaplana

Raros são aqueles que circulam pelo espaço público, pela pólis, sem sentir que têm sobre si colocados os olhos de um público que determina parcialmente as suas acções.

Da série 'Metropolis', Bruxelas, 2004-7, Joan Villaplana