O novo governo ultra-liberal ‘FMI/PSD/CDS’, escolhido democraticamente por um povo católico, passivo, conservador e masoquista, tem já um fetiche evidente: aquele da austeridade. Aplicada ao povo que o elegeu (poupando apenas as elites que também o elegeram), a austeridade parece vir a tornar-se numa das marca mais visíveis do novo governo. E que marcas poderá esta deixar na paisagem?

O ‘austeritarismo’ representa, antes de mais, um ataque contra o chamado estado social, contra a coisa pública: aquilo que é de todos e serve a todos – na educação, na cultura, na saúde e no resto. Ora, o povo votou claramente pela destruição radical daquilo que o serve e que só a ele pertence. (Mas que merda de povo é este afinal? O que merece? Para onde caminha? Com o que sonha?)

A tradução do ‘austeritarismo’ na paisagem não é unívoca, na medida em que se exprime através de dezenas, centenas ou milhares de maneiras. Ao longo dos próximos meses, espero poder tratar algumas delas. Por agora, deixarei à imaginação do leitor a resposta à importante questão que levantei no título deste post.