Big Macs, McDonald's, Washington, 2009, Paul J. Richards

Em termos de emissões de gases com efeito de estufa, cada um destes cheeseburgers, para poder chegar ao consumidor final, custou o equivalente a um trajecto de carro de 15 km!

A criação de dietas dependentes da carne tem efeitos perversos para o clima,  as paisagens e a saúde humana. Mas a carne não é a única fonte de proteínas de que o homem dispõe. Eu, por exemplo, que também sou homem não como carne há 16 anos e mesmo assim tenho força nos dedos para teclar este texto no computador e, se quiser, para me levantar desta cama e ir dar um passeio ao jardim ou ir cavar para a horta.

Ao dispor apenas de 4 caninos em 32 dentes, a dentição humana devia estimular o homem a procurar numa base diária, e não quando o rei faz anos, outras fontes de proteínas, como  lentilhas, nozes, feijão, tofu ou favas, que têm um impacto ambiental 30 vezes inferior ao da xixa de vaca.

Só nesse grande exemplo de boas práticas ambientais que é os E.U.A., farol dos povos e do universo, os 60 milhões de hectares de terras cultivadas requerem o uso de 80,000 toneladas de pesticidas apenas para a alimentação do gado. E os pesticidas, como é sabido, são os maiores amigos do ambiente. Estima-se ainda que neste país apaixonado pela ecologia, as crianças, para lá de raramente comerem as proteínas adequadas, comem 4 vezes mais proteínas do que o necessário. Daí as roupas XL.

Caro leitor, tenho perfeita noção de que estar para aqui a escrever isto ou não estar adianta exactamente o mesmo: comer carninha diariamente está no código genético da nossa cultura e a normalidade em curso decretou esse hábito como prática aceite, moralmente legítima, civilizacionalmente necessária. Portanto, como a normalidade jamais se equivoca, quando comer a próxima xixinha desfrute sem má consciência.  Se os americanos podem, porque é que você não haveria de poder?

Afinal de contas, uma geração hedonista não se devia preocupar com estas coisas.