Mas a resposta que recebi, por carta registada, elaborada pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia do Basil foi paupérrima. Demasiado má; pobre; vazia; incompetente. Nem uma palavra para as populações indígenas que dependem do rio. Nem uma palavra para a biodiversidade. Nem uma palavra para o futuro da Amazónia.

Conheço uma pequena parte da Amazónia. Viajei numa canoinha rudimentar pelo rio Negro (acampando no meio da selva), entre Manaus e Barcelos, e por outros rios (Madeira e Amazonas) por meios menos rudimentares. E posso bem imaginar o inacreditável impacto das mega barragens planeadas ou em construção em toda a bacia do Amazonas e afluentes. Consequências para todo o ecossistema e para as populações indígenas, tão profundamente ligadas aos rios e tão dependentes dos seus caudais.

O governo brasileiro está comprometido com o crescimento económico do país. Sacrificar a Amazónia ao crescimento da economia é uma inevitabilidade, fiquei definitivamente a sabê-lo, através da resposta que recebi:

que se fodam os índios, que se foda a biodiversidade, que se foda o ecossistema, que se foda o amanhã.

Foto oficial do Ministério de Minas e Energia, Brasília, 2009

Alternativas às políticas depredadoras?

Um bando de franceses invulgarmente sensatos anda a pensar nisso há uns tempos. Chamam-lhe décroissance, o que em português significa decrescimento.

A verdade é que não vejo outro caminho.