A estação de metro Baixa-Chiado foi rebaptizada PT Bluestation. Segundo o presidente do Metropolitano esta mudança “é um marco na vida do metro, um marco de ruptura, de inovação, de criatividade”. Com tantas almas em busca de ruptura, inovação e criatividade (e com o neo-liberalismo selvagem a devorar agora também os até aqui tranquilos topónimos), ainda ninguém se lembrou de mudar o nome de Lisboa para ‘Coca Cola Paradise’ ou de Coimbra para ‘Pfizer & L’Oréal Consortium’?

O secretário de Estado dos Transportes, outro visionário neo-liberal, também se declarou “muito contente com este projecto” pois “corresponde à vontade do Governo de que as empresas públicas de transportes encontrem formas inovadoras e criativas de gerar receitas”. (Porque não sacar também um órgão, para colocá-lo à venda na internet, a cada passageiro apanhado sem bilhete?)

Longe vai o tempo em que se convidavam artistas, com uma visão mais ou menos crítica do presente, para embelezarem as estações.

Longe vai o tempo em que a crítica era admitida no espaço público.

(Quem já leu os lúcidos Comentários à Sociedade do Espectáculo de Guy Debord sabe que o momento histórico em que vivemos tem um nome: espectacular integrado. A decisão recente do metropolitano de Lisboa vem apenas confirmá-lo.)