Inserido numa pequena série de 4 filmes sobre “Arquivos, memórias e explorações documentais”, “A embaixada” foi o único filme da sua série que me convenceu – os restantes abusaram de um pseudo-experimentalismo que nem há meio século passaria por vanguardista. Nele, um único plano mostra tudo: uma mão, preta, actual, que percorre as páginas de um antigo álbum de fotos, tiradas por brancos, de distintas paisagens da Guiné Bissau sob domínio português. A mão percorre lentamente todo o álbum, mas apenas se detém numa percentagem relativamente pequena de imagens. A mão preta escolhe, selecciona apenas algumas das imagens fabricadas pelo (e para o) olho branco. A mão que mostra o passado à câmara de Filipa César mostra apenas uma fracção desse passado.

Imagem do filme "A embaixada", 2011, de Filipa César

Trata-se de uma bela metáfora de como cada memória constrói o seu passado, destacando as imagens e as paisagens que melhor o definem e fundamentam.