“Os trabalhos e interesses comuns levam ao agrupamento dos homens em aldeias compactas, arruadas em torno da igreja da freguesia e do largo onde os vizinhos se juntam e convivem, como a eira, o forno, o lagar, o moinho do povo; à roda, ficam os campos obrigatoriamente abertos e sujeitos ao afolhamento estabelecido, os pastos do rebanho colectivo – de ovelhas, de porcos, de bois, consoante os lugares; os largos espaços baldios, de fruição comunitária. As casas da aldeia, que abrigam uma forte vida colectiva, erguem-se, em manchas carregadas e distantes, dos campos despovoados. Retalhada no interior dos limites da comunidade, a terra permaneceu muito tempo em regime de exploração colectiva, como uma vasta unidade agrária a que a aldeia serve de centro.”

Orlando Ribeiro, 1945 (Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico)

Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico / Orlando Ribeiro: Coimbra Editora, 1945, Exemplar da Biblioteca Nacional

Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico / Orlando Ribeiro: Coimbra Editora, 1945, Exemplar da Biblioteca Nacional