Hoje, depois das duas grandes catástrofes nucleares (na URSS e no Japão) noticiadas pelos média, já todos sabemos que, dos vários negócios do capitalismo, a energia nuclear (tal como o negócio da indústria automóvel, da indústria farmacêutica, da agro-indústria, dos O.G.M. ou dos pesticidas) não está no grupo dos mais seguros, a curto, médio ou longo prazo. É sabido que, em capitalismo, rentabilidade (para uma minoria) e segurança (para a maioria) raramente vão de par. E a irracionalidade da lógica capitalista já demonstrou não ser apenas capaz de multiplicar cancros, obesidade, de provocar o aquecimento do planeta, o aumento brutal de catástrofes ambientais, de favorecer um boom imparável de favelas (habitadas por cerca de um sexto da humanidade) ou de nada fazer para conter a disseminação das doenças tropicais no hemisfério Sul.

Esta noite, activistas sem armas da Greenpeace penetraram pacificamente no interior de uma central nuclear francesa, não muito distante de Paris, demonstrando a facilidade que há em chegar ao coração de uma central nuclear. Tratou-se simplesmente de mais uma forma de demonstrar a irrealidade do mito da ‘segurança nuclear’.

(Se algum dia o terrorismo tivesse sido uma ameaça efectiva para o Ocidente, não restariam provavelmente hoje em todo o mundo Ocidental mais do que as antipáticas baratas das pensões parisienses, as pombas incansáveis e asquerosas do Rossio e as gigantes ratazanas de Nova Iorque – a radioactividade ter-se-ia encarregado de eliminar tudo o resto.)