Seminário a 8 de Fevereiro, entre 12.30h – 13.30h, no Auditório Florestal do Instituto Superior de Agronomia, por João Pedro V. Tereso (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos
Genéticos/Faculdade de Ciências, Universidade do Porto).

“Estudos paleoecológicos e paleoetnobotânicos têm vindo a demonstrar que, nos últimos 12000 anos, a paisagem de Portugal continental sofreu profundas alterações. Estas alterações traduzem a interrelação entre dinâmicas ambientais e alterações nas sociedades humanas.

Numa primeira fase, marcada pelas profundas alterações climáticas que caracterizaram o fim do último período glaciar, a intervenção do Homem sobre o meio foi bastante reduzida, pelo que foram as dinâmicas climáticas o principal fator a condicionar a evolução da cobertura vegetal. No entanto, em pleno ótimo climático, durante o auge das florestas de quercíneas, as comunidades humanas transformaram-se, iniciando-se o declíneo dos ecossistemas florestais. Nas primeiras etapas de desenvolvimento das sociedades produtivas, fases de desforestação e recuperação da floresta sucederam-se; porém, há cerca de 3200 anos atrás, a pressão sobre os recursos florestais aumentou de forma muito significativa, ainda que a floresta tenha mantido a sua capacidade de regeneração.

Com o início do reino português, um novo paradigma surgiu, marcado agora pela florestação – povoamentos florestais – com os quais a coroa pretendia resolver os grandes problemas de abastecimento de matérias primas lenhosas. Esta fase perdurará até aos dias de hoje, ainda que sofrendo uma evolução determinada pelas alterações sociais e políticas verificadas nos últimos séculos.

Pretende-se com esta comunicação apresentar as principais fases deste processo que conduziu à paisagem e ao modelo de floresta que temos hoje, apresentando inclusive os principais métodos de estudo da Paleoecologia e Paleoetnobotânica, salientando as suas potecialidades mas alertando para as suas limitações.”

João Pedro Vicente Tereso