“Don’t ask me crazy stuff: I just wanna go shopping”, 2011, Hannelore Foerster / Bloomberg

No Porto (Fontinha) e em Lisboa (São Lázaro), o poder desocupou violentamente dois imóveis que, por estarem abandonados, tinham sido recentemente ocupados, não por especuladores, mas por pessoas que necessitavam de um espaço na sua cidade para desenvolverem diversas actividades culturais de que, de um modo geral, a comunidade estava privada.

Quase 40 anos após o 25 de Abril, ficamos todos a saber o que muitos já pressentiam:

“For me the best Zara is the one in Salamanca”, 2007, Torke

deixou de haver lugar para as margens neste país; a ideia é deixarmo-nos levar pela força da corrente do rio, caladinhos, sem questionar o seu rumo, sem tentar nadar para as margens (se o ousarmos fazer, a polícia de choque entra instantaneamente em acção).

É triste um rio sem margens e sem contrastes. (Mais triste é a vida daquele que não o percebe.)

Bornova shopping mall, Izmir, Turquia, 2007, DU999

Para onde nos arrasta o rio, no seu curso monótono e impiedoso?