Nos dias de hoje, a mercantilização estende-se e amplifica-se: espacialmente, geograficamente, culturalmente.

Quer dizer: a sociedade do espectáculo prossegue calmamente a sua conquista planetária, como havia profetizado há tantos anos o único teorizador que soube compreender em profundidade o seu tempo (e o nosso), Guy Debord. Outros, que se seguiram ao singular pensador francês, inventaram a palavra ‘globalização’ para descrever genericamente a mesma conquista.

Foto promocional do Daintree Eco Lodge, Australia, 2012

‘Eco-turismo’ é um dos conceitos mais em voga para as elites do Ocidente, sempre em busca de novas mercadorias, capazes de despertar aventuras e emoções inusitadas. O surgimento deste conceito é revelador de que passou a ser possível, interessante e rentável aos operadores turísticos vender selvas virgens, santuários naturais e paisagens imaculadas. Enfim, passou a ser possível tudo vender neste mundo, onde apenas o que não pode ser vendido deve desaparecer. E desaparece mesmo…

Com esta extensão do espectáculo às selvas dos trópicos, os hotéis, perdão, os eco-lodges, passaram a fazer companhia à natureza selvagem, com os seus “micro screened balconies with outdoor Jacuzzis, televisions, CD players, minibars, air conditioning, wireless and dial up Internet access.”

O ‘virgem’ e o ‘autêntico’ passam assim a ser glorificados pelos promotores turísticos, que descobrem na burguesia recentemente seduzida pelas mercadorias sustentáveis a sua clientela predilecta.