Terraço-lounge, Beach Destination Hostel , Lisboa, 2012, Jornal Público.

Os hostels, actualmente tão em voga, têm um papel histórico a desempenhar na gentrificação do planeta. Permitem aos jovens da classe média, com aquele ar sempre leve e descontraído (de quem vive numa redoma onde não entram as tensões da história – que se traduzem em subidas de impostos e coisas dessas) e style desleixado (hoje muito apreciado: barba por fazer, I-Phone todo riscado ou telemóvel retro, ténis de marca mas sujos…), espalhar o inglês pelos quatro cantos do mundo e viajar à caça dos mais imperdíveis e desconhecidos spots que ainda existem neste seu Lonely Planet. Novas geografias são incluídas neste projecto totalitário de levar a mercantilização ao último beco do bairro mais pobre e decadente onde o inglês teima em não ser língua franca (no Rio as favelas e os seus moradores foram assimilados pelo fenómeno, para regozijo dos turistas que viram o seu território de acção alargado).

Actualmente, “o backpacker não é o típico jovem sem dinheiro, há os que podem pagar e querem um quarto privado”, explicava Dangolia Rosickaite, directora financeira dos hostels Destination (do qual faz parte o Beach Destination Hostel), ao jornalista do Público. Era algo que já suspeitávamos.