“Porque me parece (desde o momento em que a polícia avançou) que o que se viveu em S. Bento foi uma autêntica e inaceitável suspensão do estado de direito, partilho o post que escrevi mal cheguei a casa e algumas notas adicionais:

O QUE EU VI: um foguete de cores a disparar em todas as direções no meio do pessoal que estava frente à escadaria e, de repente, a polícia, de forma OPORTUNISTA e COBARDE a avançar INDISCRIMINADAMENTE sobre as pessoas. E a descer dos relvados laterais para reforçar a ideia de que estava tudo encurralado.

Mas basta ver as imagens das televisões para ver quem eles escolhem para bater: não quem os enfrenta ou agride mas quem fica para trás, quem está pacificamente nos muros, quem sente que pode não fazer sentido fugir da polícia…. Os mais fáceis!!!!

PS: e não ouvi nenhum ultimato. nem eu nem ninguém ao pé de mim…”

NOTAS:

– Eu estava lá com amigos e jornalistas, todos com crianças e, por esse motivo, afastámo-nos para trás dos carros estacionados na rua lateral (a que vai dar à D. Carlos) porque queríamos estar longe da pedras e dos petardos.

– não ouvimos absolutamente nada nem sequer ouvimos quem quer que fosse a falar no tal ultimato – mas basta ver as imagens desse anedótico momento (com um polícia a tremer, com um megafone a pilhas numa mão e um papel na outra, a trás dos colegas) para perceber que, muito provavelmente, nem os polícias do outro lado ouviram o que quer que fosse….

– eu safei-me rapidamente não porque tivesse dado conta do avanço da polícia mas apenas porque algum anormal lançou um foguete pirotécnico para o meio da multidão que começou a disparar em todas as direções. Quando vi toda a gente em fuga e com medo que alguma coisa a arder rebentasse perto de nós, desatei a correr agachado por trás dos carros, protegendo a minha filha e levando-a dali para fora.
Disseram-me depois que aquela bomba/foguete terá sido lançada pelos polícia como início das hostilidades…. Se for verdade, é criminoso, porque as pessoas atropelaram-se e espezinharam-se em fuga

– quero acreditar que num estado de direito, mesmo que estivesse ali pessoas a dar tiros à polícia isso jamais lhes daria o direito de bater em quem quer que fosse…. Nem sequer no atirador, se não fosse a única forma de o neutralizar…

– Neste caso, se alguém cometeu um crime atirando pedras à vista de toda a gente, então a polícia tem de ter e usar meios que SEM VIOLAR ELA PRÓPRIA A LEI e ainda por cima de forma grosseira, lhes permitam identificar e deter os supostos criminosos e levá-los ao tribunal. Isto de decidir julgar sumariamente e infligir penas na hora a torto e a direito é medieval…

– acho que a nossa polícia (e uma boa parte dos nossos cidadãos) devem ver como a polícia norueguesa trata um imbecil que assassinou dezenas de pessoas… O sistema trata-o com a máxima dignidade e não se vinga dele…

Uma nota positiva para as massas que, apesar do pânico e do medo, facilitaram a evacuação das pessoas com crianças – acho que não fui o único para quem se abria uma espécie de túnel seguro para sair dali….

PS: não sei se era essa a intenção, mas, como é natural, a minha filha teve pesadelos com a polícia e não com quem estava a atirar pedras…

Obrigado

João Pinho