A questão não é nova e de tempos a tempos os governos colocam-na, sem fazer muito alarido.

– Oh, oh Passos pá, não achas que devíamos dissolver o povo e eleger outro? Eu até já chamei a este de ‘melhor povo do mundo’ para ver se o acalmava, mas parece que não resultou.

– Já começámos a tratar disso, Gaspar. O ministro da economia está a arrebentar com a economia toda de modo a só restar emprego para os jovens que tenham cunha de um dos muitos caciques do nosso partido; e o Macedo já deu ordens à bófia para desfazer a mona dos que ficarem nas ruas a protestar…

Bem a propósito, as autoridades nacionais começaram a despachar para a Alemanha paletes de tugas entre os 22 e os 35 anos com o único denominador comum de terem ganas de fazer qualquer coisa da vida, o que é potencialmente perigoso para a ordem estabelecida por Passos, Relvas, Macedo e Portas – apesar da ASAE admitir apenas 20 indivíduos por palete, emigrantes portugueses que trabalham há 3 meses no porto de Hamburgo disseram ao Paisagens Contemporâneas que chegaram a retirar do porão de vários navios paletes com mais de 50 tugas espalmados…

Em troca do envio de tugas fresquinhos, acabadinhos de sair das universidades e cheios de sangue na guelra, Merkel, na visita a Portugal, comprometeu-se com Passos Coelho a enviar, para este bonito jardim da Europa com fragrância de eucalipto, carradas de reformados alemães, com muita vontade de apanhar uns bons banhos de sol em frente ao Atlântico, ou seja, longe das escadarias de S. Bento.

Alemães a treinar para a vida que os espera em Portugal:

Parque em Bingen, Alemanha, pátria de Brecht, 2008, Andrea Morgenstern

Parque em Bingen, Alemanha, pátria de Brecht, 2008, Andrea Morgenstern

Parque em Bingen, Alemanha, pátria de Brecht, 2008, Andrea Morgenstern

Parque em Bingen, Alemanha, pátria de Brecht, 2008, Andrea Morgenstern