Na aldeia onde vivo, há cinco anos ainda existiam três padarias a produzir diariamente pão, algumas a lenha. Uma estava a quarenta metros de casa. Hoje não resta nenhuma porque a ASAE prefere que os meus filhos comam Panrico ao pequeno almoço. Um vendedor muito conversador que, de tempos a tempos, costumava aparecer na sua carrinha a vender roupa ‘made in Portugal’ (por 25,00€ vendia umas calças de lã que, para lá de durarem uma eternidade, faziam com que graus negativos parecessem uma braseira) acabou com o negócio.

Na cidade mais próxima, o barbeiro onde costumava fazer a barba já fechou as portas. Nessa mesma cidade, a única pastelaria “que ainda fabrica pastéis à moda antiga”, como diz o pasteleiro, foi posta à venda. E o café centenário onde às Segundas bebo o meu poejo fecha na próxima semana; a taberna na rua ao lado com a sua atmosfera acolhedora e familiar em 2013 tão pouco terá as portas abertas.

Há todo um Portugal que silenciosamente está a desaparecer. Rapidamente. Os pequenos comerciantes com os seus antigos negócios dão lugar às multinacionais dos shoppings que os média (através de 3000 impactos publicitários diários por habitante) impõem, com as suas mercadorias ‘usa-deita-fora’ produzidas na Ásia.