Archives for the month of: Janeiro, 2013

O urbanismo tem funcionado, nos mais diversos contextos geográficos e históricos, como uma técnica normalizadora ao serviço de quem exerce o poder. É assim nos subúrbios de qualquer metrópole: trata-se de uma técnica vital para disciplinar sociedades complexas, para domar a sua perigosa ‘vontade de liberdade’.

Israel usa o urbanismo de um modo radicalmente novo: para ocupar massivamente territórios previamente confiscados e destruídos. Para colonizar. O poder do urbanismo é aqui usado, não contra meros indivíduos atomizados como os que habitam os subúrbios das grandes metrópoles, mas contra todo um povo em conjunto.

O urbanismo é aqui um acto de guerra.

Enclave palestiniano (Habla) vs colonato judeu (Matan-Yahriv)

Enclave palestiniano (Habla) vs colonato judeu (Matan-Yahriv)

Colonato israelita em solo palestiniano, Baz Ratner / Reuters

Colonato israelita expande-se sobre solo palestiniano, Baz Ratner / Reuters

Construção de colonato judeu às portas de Jerusalém, http://apjp.org/israel-spent-nis-11-billion-on/

Construção de colonato judeu às portas de Jerusalém, http://apjp.org/israel-spent-nis-11-billion-on/

O colonato de Abu-Ghinim em construção

O colonato de Abu-Ghinim em construção, http://apjp.org/israel-to-build-new-homes-on-o/

O colonato de Har-homa em construção, Linda Forsell

O colonato de Har-homa em construção, Linda Forsell

“It is not just the homeland of certain people that you are destroying—not just the private houses of certain families—but also the landscape. Some of these villages go back thousands of years. You can change your name, you can change your religion, you can change your identity, but your relationship to the land you cannot change.” Nazmi Ju’beh

Os lucros da Portucel, que é de todas as empresas de capitais nacionais aquela que mais exporta, cresceram 7,6% em 2012. Mas, como para qualquer projecto capitalista parar de se expandir é morrer (a metáfora do império tantas vezes usada para caracterizar o capitalismo não é acidental), a papeleira, segundo noticiado na imprensa, prepara um projecto de construção de uma nova fábrica. Para isso precisa primeiro de garantir matéria-prima suficiente e a baixo custo, ou seja, muitos milhares de hectares de eucaliptais terão de ser plantados em Portugal. O aumento do deserto não pode parar.

Os gurus do não-pensamento liberal que governam a coisa pública terão sido contactados para ver o que poderia ser feito relativamente à eliminação de entraves que existem em termos ambientais. E de facto havia algo que poderia ser feito. Em meados de 2012, é pois tornada pública uma proposta governamental que abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto.

Deserto em expansao

um deserto

O caminho à ‘eucaliptização da floresta‘ está assim aberto. Com a proposta do governo (chamam-lhe ‘a Lei da Pasta’), que revoga “todas as restrições legais relativas à plantação ou sementeira de eucaliptos, designadamente nas proximidades de terrenos cultivados, terras de regadio, nascentes de água ou prédios urbanos” (Quercus), “assistiremos a uma diminuição das espécies florestais, à redução da biodiversidade, à alteração de diversos ecossistemas florestais e ao aumento da propensão para incêndios florestais” (Luís Fazenda).

A expansão ilimitada da Portucel requer, como é óbvio, a expansão ilimitada da monocultura do eucalipto (seremos obrigados a plantar eucaliptos nos nossos vasos nas varandas?).

A expansão ilimitada do capitalismo requer a expansão ilimitada do deserto que, em Portugal, é verde e inflamável. 

Caros amigos,

Silenciosamente, em todo o planeta, bilhões de abelhas estão morrendo, ameaçando as colheitas de nossas plantações e nossos alimentos. Entretanto, em 48 horas, a União Europeia poderá tomar medidas para banir alguns dos agrotóxicos mais venenosos e pavimentar o caminho para uma proibição global que salvaria as abelhas da extinção. Quatro países da UE passaram a proibir esses pesticidas venenosos e algumas populações de abelhas já estão se recuperando. Dias atrás, o órgão oficial que cuida da segurança alimentar europeia afirmou, pela primeira vez, que certos pesticidas estão causando danos fatais às abelhas. Agora, juristas e políticos europeus estão pedindo uma proibição imediata. Mas a Bayer e outras gigantes produtoras de agrotóxicos estão fazendo lobby para mantê-los no mercado. Se provocarmos um enxame enorme de indignação pública agora, poderemos pressionar a Comissão Europeia a colocar nossa saúde e o meio ambiente na frente do lucro de poucos. Sabemos que nossa voz tem poder! No ano passado, a nossa poderosa petição, com 1,2 milhão de assinaturas, obrigou as autoridades dos EUA a abrir uma consulta formal sobre pesticidas – agora, se chegarmos a 2 milhões, poderemos convencer a UE a se livrar desses venenos e pavimentar o caminho para uma proibição mundial.

Assine a petição urgente e envie para todos

– a Avaaz e deputados europeus vão entregar nossa mensagem antes da reunião chave nesta semana, em Bruxelas: http://www.avaaz.org/po/hours_to_save_the_bees/?bzqrGdb&v=21447

As abelhas não só produzem mel, mas são vitais para a vida na Terra – a cada ano elas polinizam 90% das plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, muitas das nossas frutas, legumes e nozes preferidas poderão desaparecer das prateleiras. Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante, em todo o planeta, das populações de abelhas – algumas espécies já estão extintas e outras, nos EUA, foram reduzidas a apenas 4% da população que existia antes. Cientistas vêm lutando para obter respostas e agora a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar está dizendo que os produtos químicos tóxicos chamados pesticidas neonicotinóides poderiam ser os responsáveis pelas mortes das abelhas. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede da Bayer, maior produtora de agrotóxicos, baniram alguns destes produtos que matam abelhas.

Porém, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o resto do mundo. Neste momento, o debate está pegando fogo. Parlamentares da UE estão aumentando a pressão sobre a Comissão Europeia e sobre os governos-chave para aprovar a nova legislação proibindo esses agrotóxicos mortais, e nós podemos oferecer-lhes o apoio público de que precisam para combater o potente lobby dos produtores de pesticida. Assine a petição urgente para os líderes europeus, e em seguida, encaminhe este email para todos: http://www.avaaz.org/po/hours_to_save_the_bees/?bzqrGdb&v=21447

Nosso mundo está cercado de ameaças para as condições que o tornam habitável, e para tudo aquilo que o torna maravilhoso. A comunidade Avaaz se reúne para defender os dois – seja grande ou pequeno. Seja vencer uma batalha para impedir a Comissão Baleeira Internacional de sancionar o assassinato destes enormes mamíferos, seja para salvar as abelhas, estas pequenas criaturas das quais tanto dependemos. Vamos nos unir e defender o mundo que todos queremos.

Com esperança,

Luis, Ari, Alice, Iain, Ricken, David, Alaphia, e toda equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES:

UE suspeita de inseticidas por “sumiço” de abelhas (Instituto Humanitas Unisinos) http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517043-ue-suspeita-de-inseticidas-por-qsumicoq-de-abelhas

Agência europeia diz que 3 neonicotinóides põem abelhas em risco (G1) http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2013/01/agencia-europeia-diz-que-3-neonicotinoides-poem-abelhas-em-risco.html

Comissão Europeia admite proibir pesticidas devido ao impacto sobre as abelhas (Lusa) http://visao.sapo.pt/comissao-europeia-admite-proibir-pesticidas-devido-ao-impacto-sobre-as-abelhas=f706959

Pesticidas são uma ameaça para as abelhas (European Voice) (em inglês) http://www.europeanvoice.com/article/2013/january/pesticides-pose-danger-to-bees/76158.aspx

Pesticidas da agricultura estão “matando nossas abelhas” diz membro do parlamento europeu (Public Service Europe) (em inglês) http://www.publicserviceeurope.com/article/3007/crop-pesticides-are-killing-our-bees-says-mep#ixzz2JGICse6a

Sentença de morte para agentes nervosos pesticidas para salvar abelhas (Independent) (em inglês) http://www.independent.co.uk/environment/nature/death-knell-for-nerve-agent-pesticides-in-move-to-save-bees-8454443.html

Dêem uma chance para as abelhas! (The Greens European Free Alliance) (em inglês) http://www.greens-efa.eu/give-bees-a-chance-9012.html

Estudos culpam a Bayer pela morte de abelhas (Christian Science Monitor) (em inglês) http://www.csmonitor.com/Science/2012/0406/Studies-fault-Bayer-in-bee-die-offA

[Para ver o vídeo, terá de clicar primeiro em play e depois em Ver no Youtube]

Istambul é hoje a Meca de quem quer implantar bigodes. É a cirurgia estética turca a dar cartas.

Vários clichés animam o mundo habitado pela maioria dos arquitectos (quando digo ‘maioria’ não creio estar a ser injusto). Um deles é que o espaço exterior que envolve as magníficas jóias por si criadas deve ser objecto de uma coisa chamada “arranjos exteriores“.

O raciocínio que fazem é simples e parte de uma associação quase lógica: se as floristas fazem arranjos de flores, o trabalho dos arquitectos paisagistas, que são da família das floristas, é… arranjos exteriores. Sim, porque o espaço fica sem daninhas, fica limpo, liso, fica… fica arranjado.

Oh arquitecto, veja lá se este descampado não está mesmo a pedir uns 'arranjos exteriores'? Não seria bom chamarmos uns paisagistas?

Oh arquitecto, veja lá se este descampado não está mesmo a pedir uns ‘arranjos exteriores’? Não seria bom chamar uns paisagistas?

Como a escravatura é uma das formas possíveis e cada vez mais actuais de nos vincularmos a esta sociedade e à vida moderna, um escritório de arquitectura de Vila Verde (Minho), em perfeita sintonia com o zeitgeist, decidiu elaborar o seguinte concurso:

Regulamento / Concurso Arquitetura Atelier

Regulamento

 

Artigo Primeiro

(Objetivo e Designação)

1-      O Concurso de Arquitetura «atelier» visa estimular a criatividade, inovação e conhecimento técnico de jovens arquitetos, com idade inferior a 35 anos.

2-      O Concurso tem dois objetivos distintos:

  1. a)Por um lado a elaboração de um projeto de uma moradia a custos controlados;
  2. b)Por outro um projeto livre onde a inovação, a criatividade e o arrojo sejam a premissa base.

3-      No âmbito do concurso são atribuídos dois prémios:

  1. a)O primeiro classificado ganha a oportunidade de um emprego com um período de experiência de dois meses;
  2. b)O segundo classificado fica com direito a um estágio no «atelier – Arquitectura e Engenharia» em Vila Verde, Braga.
  3. c)Todos os participantes recebem um certificado de participação.

4-      A atribuição dos prémios é feita por um Júri composto nos termos que constam do presente regulamento.

Artigo Segundo

(Elegibilidade)

1-      Podem participar no «Concurso de Arquitetura atelier», todos os jovens arquitetos com idade inferior a 35 anos e com licenciatura acreditada junto da Ordem dos Arquitetos.

2-      Os trabalhos apresentados serão entregues nos locais e prazos definidos neste regulamento e não serão admissíveis quaisquer atrasos, mesmo que justificados por fatores que não sejam da responsabilidade dos concorrentes.

3-      Só serão admitidos trabalhos realizados de forma individual.

4-      Não serão admitidos trabalhos a concurso cujo autor tenha relações profissionais, familiares ou pessoais com os arquitetos do «atelier – Arquitectura e Engenharia», sob pena de poderem ser excluídos em qualquer momento do presente concurso.

5-      Os trabalhos a concurso devem obedecer aos seguintes requisitos:

  1. a)Para a habitação a preços económicos deve-se ter em atenção o seguinte: a habitação destina-se a uma família da classe média portuguesa, com dois filhos; um dos elementos é trabalhador liberal (por exemplo: jornalista free lancer), a viver na periferia da cidade de Braga.
  2. b)No segundo caso, pretende-se o desenvolvimento de um projeto arquitetónico de tema livre, onde impere a inovação e a criatividade em cumprimento com a legislação vigente.

Artigo Terceiro

(Critérios de Avaliação)

1-      São aspetos relevantes em apreciação:

  1. a)O conceito arquitetónico;
  2. b)A criatividade demonstrada nos trabalhos apresentados;
  3. c)A cultura arquitetónica e capacidade técnica demonstrada nos trabalhos apresentados;
  4. d)A exequibilidade técnica, financeira e comercial da solução proposta.

Artigo Quarto

(Júri)

1-      O Júri do «Concurso de Arquitetura atelier» é presidido pelo arquiteto César Almeida e composto pelo João Luís Nogueira, Diretor-Geral da Escola Profissional Amar Terra Verde, José Carlos Ferreira, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, José Morais, presidente da Associação Empresarial de Vila Verde (AEViVer); Eduarda Oliveira, Diretora-Geral e coordenadora do Departamento de Engenharia do «atelier – Arquitectura e Engenharia», César Lopes, coordenador do Departamento de Arquitetura do «atelier – Arquitectura e Engenharia» e Daniela Oliveira, arquiteta paisagista do «atelier – Arquitectura e Engenharia»;

2-      Todas as decisões do Júri são válidas por maioria, sendo obrigatória a presença de 5 dos elementos que o compõem;

3-      Serão evitados os empates de votação, procedendo a diversos momentos de votação. Caso um empate persista o presidente tem voto de qualidade.

[…]

Artigo Sexto

(Candidaturas)

As candidaturas ao Prémio terão que cumprir as seguintes condições:

1-      Os candidatos têm de se inscrever obrigatoriamente no concurso até ao dia 28 de Fevereiro de 2013 e para tal têm que respeitar as seguintes diretrizes:

  1. a)Preencher o formulário AT13 e devolvê-lo para o email constante na respetiva ficha e acompanhado dos documentos: Cópia do Cartão de Cidadão, Certificado de Habitações, Curriculum Vitae e número de inscrição na Ordem de Arquitetos (caso se aplique);
  2. b)Todos os inscritos serão notificados via email da receção da sua inscrição.
  3. c)No dia 4 de Março será publicado em http://www.atelier.pt a lista de candidatos admitidos a concurso. Todos os candidatos serão notificados via email da sua admissão a concurso.

 

2-      Os trabalhos a entregar devem obrigatoriamente conter os seguintes elementos:

  1. a)Plantas, Cortes, Alçados, Perfil Longitudinal e Transversal à escala 1:100;
  2. b)Legenda dos espaços e quadro de áreas uteis e brutas;
  3. c)Memória descritiva das opções tomadas ocupando o máximo de 3 páginas A4;
  4. d)Programa Base;
  5. e)Programa Financeiro;
  6. f)Imagens em 3D de exteriores e interiores;
  7. g)Projeto de arranjos exteriores;
  8. h)Outros desenhos, gerais ou de pormenor, que o concorrente entenda necessários para explanar a sua proposta, quer em aspetos gerais, quer em aspetos construtivos relevantes para a solução apresentada;
  9. i)CD com toda a documentação necessária para o Concurso, referenciada em pastas e sempre com o código presente.
  10. j)Ficha técnica do projeto em formato A4 com a indicação do autor e cópia do formulário AT13 disponibilizado aquando da inscrição.
  11. k)Os trabalhos são anónimos. Todas as páginas das peças desenhadas e escritas deverão conter no canto inferior direito um código escolhido pelo candidato, constituído por oito dígitos diferentes cuja ordem não seja crescente e ou decrescente. (Ex. 15482824)
  12. l)Nenhuma das peças deverá conter o nome do candidato ou símbolo que o identifique, ficando sujeito a desclassificação.

[…]

O presente Regulamento foi elaborado e aprovado pelo « atelier – Arquitectura e Engenharia»

Vila Verde, 31 de Dezembro de 2012

A administração:

Filipe Brito, Arq.                       Jorge Pereira, Arq.

[Via http://blog.5dias.net ]

Esse país chama-se Portugal e o seu governo, que professa aquela corrente do não-pensamento segundo a qual ‘tudo o que existe pode e deve ser vendido às novas elites feudais‘, acaba de inaugurar um portal para atrair compradores chamado

O seu país está à venda em http://www.livinginportugal.com/en/

Encontre o seu país à venda em http://www.livinginportugal.com/en/

e conheça os benefícios fiscais (sim, afinal este governo também sabe conceder benefícios fiscais!), bem como todas as outras estratégias e imagens usadas para seduzir potenciais compradores:

lp_home_casas_1_1697615445102ac8ab29e9

E descubra assim mais um projecto do governo para 2013, ano a vários títulos promissor: destinar os territórios mais privilegiados de Portugal a feudos das elites internacionais.

Definitivamente, o feudalismo entrou na moda – um novo género de feudalismo, é claro, mas que reproduz as mesmíssimas desigualdades no acesso aos recursos do território do feudalismo medieval. Acho que é um bom tema para irmos explorando ao longo de 2013. Já que mais ninguém o faz…

Para se poder fazer uma ideia do fenómeno, nada como consultar a lista oficial do Ministério da Agricultura onde em princípio devem constar todos os produtores.

 

 

Cada câmara destruída vale um ponto. Objectivo: destruir o máximo de câmaras de vídeo-vigilância até ao dia 19 de Fevereiro, data em que decorrerá o Congresso Europeu da Polícia.

“freiheit stirbt mit sicherheit”

artigo hoje no Le Monde.fr  por Audrey Garric

 La municipalité de Pékin a lancé des mesures sans précédent pour lutter contre la pollution de l'air, sujet de débats et de mécontement grandissants depuis plusieurs mois en Chine.

A Pékin, les mesures d’urgence contre l’ “airpocalypse” laissent sceptiques

“L’airpocalypse.” C’est ainsi que les Pékinois ont surnommé la situation dans la capitale chinoise, touchée par une pollution de l’air sans précédent. Lundi 19 janvier, la municipalité a lancé de nouvelles mesures pour lutter contre cette contamination, sujet de débats et de mécontement grandissants depuis plusieurs mois en Chine.

Ces règles systématisent des mesures déjà prises au coup par coup auparavant – fermeture d’usines, réduction des émissions de charbon, interdiction de certaines catégories de véhicules. Le public a jusqu’au 8 février pour les commenter mais d’ores et déjà les critiques et résistances sont de mises.

NOUVELLE NORME D’ÉMISSIONS

Dans le détail, 180 000 véhicules anciens seront retirés de la circulation cette année et la croissance “excessive” des ventes de voitures neuves sera contrôlée – 6 millions de véhicules en 2015, contre 5,2 millions aujourd’hui. La circulation automobile pourra également se voir interdite en cas de pic de pollution.

Pollution à Pékin, le 5 décembre

Une nouvelle norme d’émissions, nommée Pékin 5, à l’image de la norme Euro 5 en Europe, sera adoptée le 1er février. Elle s’appliquera aux véhicules nouvellement immatriculés et devrait permettre de réduire de 40 % les émissions d’oxyde d’azote, rapporte l’agence de presse officielle Xinhua. Les conducteurs devront débourser des amendes de 3 000 yuans (360 euros) si leur véhicule dépasse les nouvelles limites d’émissions.

USINES POLLUANTES FERMÉES

Les systèmes de chauffage fonctionnant au charbon seront également remplacés par des systèmes d’énergie propre dans 44 000 logements anciens du centre-ville. Les vendeurs de rue seront en outre passibles d’une amende de 5 000 yuans (600 euros) s’ils cuisent de la nourriture à l’aide de barbecues sur le bord de la route les jours de smog, détaille China Daily.

Une usine de Yutian, à 100 km à l'est de Pékin.

Du côté de l’industrie, la construction de nouvelles cimenteries et aciéries sera interdite. Les usines se verront par ailleurs fermées lors des situations de pollution exceptionnelles. Première application concrète : les autorités chinoises ont mis à l’arrêt une gigantesque usine de gazéification du charbon du groupe Shenhua, située à Baotou dans la région autonome de Mongolie intérieure, accusée de graves atteintes à l’environnement. Elle sera autorisée à reprendre son activité quand elle respectera les normes en vigueur, a indiqué le Quotidien national des affaires cité par Reuters, qui précise qu’elle a été condamnée à payer une amende de 100 000 yuans (12 000 euros) pour ses récentes pollutions.

“Nous allons accélérer la construction d’une ville magnifique avec un ciel bleu, une terre verte et de l’eau potable”, a assuré le maire de Pékin, Wang Anshun, lors d’un discours retransmis en direct à la télévision d’Etat. Pékin s’était engagé le mois dernier à investir 350 milliards de yuans (43 milliards d’euros) d’ici à 2015 pour réduire la pollution atmosphérique.

HAUSSE DE 60 % DES CANCERS SUR DIX ANS

Ces nouvelles mesures ont été prises alors que la pollution a été particulièrement forte dans la capitale chinoise le week-end du 12 janvier, la concentration de microparticules dans l’air atteignant le pic inégalé de 993 microgrammes par mètre cube d’air (µg/m3), soit des niveaux près de 40 fois les limites recommandées par l’Organisation mondiale de la santé (OMS). Après quelques jours d’accalmie due à la neige, la pollution s’est de nouveau aggravée mercredi 23 janvier, dépassant le seuil jugé dangereux de 300 µg/m3.

Les émissions de quatre polluants – dioxyde de soufre, oxydes d’azote, oxygène chimique et azote ammoniacal – ont toutefois diminué de 2 % en 2012 et devraient baisser d’autant cette année, a déclaré le ministre de l’environnement jeudi, comme le rapporte Reuters. Mais la Chine “fait face à une longue bataille” dans le contrôle des fameuses PM2,5, des particules fines de moins de 2,5 µm de diamètre qui s’avèrent très nocives dans la mesure où elles peuvent se fixer sur les poumons et provoquer des maladies respiratoires. Selon un article paru en 2011 dans le quotidien d’Etat China Daily, le nombre de cancers du poumon à Pékin a ainsi augmenté de 60 % au cours des dix dernières années, alors que le taux de tabagisme est resté stable.

CRITIQUES ET SCEPTICISME

La qualité de l’air à Pékin fait depuis quelque temps l’objet d’une attention particulière des autorités car elle focalise le mécontentement populaire sur les inégalités. De fait, les messages postés sur le site de microblogging chinois Sina Weibo, cités par Reuters, laissent paraître toute l’ampleur de la défiance de la population face au plan d’action annoncé. “Ces mesures ne sont que des rêves”, lâche un utilisateur. D’autres font remarquer que la suppression progressive des vieilles voitures ne fera guère de différence dans une ville où 250 000 véhicules neufs prennent la route chaque année. “Ces vieilles voitures sont celles que les gens ordinaires conduisent. Vous ne serez légitimes pour prendre des mesures sur la pollution que lorsque vous commencerez à abandonner toutes les voitures des fonctionnaires”, peut-on encore lire.

Même les médias d’Etat, d’accoutumée peu enclins à critiquer l’action du gouvernement, ne cachent pas leur scepticisme face à l’action du gouvernement. “Ces nouveaux règlements seront probablement aussi inefficaces que les précédents”, persifle le Global Times, citant des experts en environnement de la ville.

RÉSISTANCES DES SOCIÉTÉS D’ETAT

Le gouvernement chinois fait en outre face à une vive résistance des tentaculaires sociétés d’Etat et les intérêts locaux dans sa tentative de lutter contre la pollution de l’air, rapporte le Wall Street Journal. Conséquence de décennies de croissance effrénée, les profonds problèmes environnementaux de la Chine, depuis les préoccupations sur la qualité de l’air à la raréfaction de l’eau en passant par la consommation croissante de combustibles fossiles, sont aujourd’hui en effet considérés comme un obstacle potentiel à un fort développement économique du pays.

Diminuer les émissions sur le long terme impliquera de coûteuses mises à niveau des installations industrielles et des raffineries de pétrole, des investissements auxquels résistent les entreprises étatiques, incapables de répercuter les coûts sur les consommateurs, ainsi que les gouvernements locaux, qui dépendent de la production industrielle pour leur trésorerie.

“Gérer les petites et grandes entreprises d’Etat sera un défi pour toute volonté de réforme économique de la part du nouveau gouvernement du dirigeant Xi Jinping, assure le quotidien américain. Alors que ces entreprises sont en concurrence avec le secteur privé au niveau des ressources et du capital, elles sont également d’importants pourvoyeurs d’emplois, sont menées par des chefs d’entreprises liés aux sphères politiques et elles fonctionnent souvent comme des outils pour les objectifs politiques de Pékin, ce qui leur donne un immense poids politique.”

Audrey Garric