Os lucros da Portucel, que é de todas as empresas de capitais nacionais aquela que mais exporta, cresceram 7,6% em 2012. Mas, como para qualquer projecto capitalista parar de se expandir é morrer (a metáfora do império tantas vezes usada para caracterizar o capitalismo não é acidental), a papeleira, segundo noticiado na imprensa, prepara um projecto de construção de uma nova fábrica. Para isso precisa primeiro de garantir matéria-prima suficiente e a baixo custo, ou seja, muitos milhares de hectares de eucaliptais terão de ser plantados em Portugal. O aumento do deserto não pode parar.

Os gurus do não-pensamento liberal que governam a coisa pública terão sido contactados para ver o que poderia ser feito relativamente à eliminação de entraves que existem em termos ambientais. E de facto havia algo que poderia ser feito. Em meados de 2012, é pois tornada pública uma proposta governamental que abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto.

Deserto em expansao

um deserto

O caminho à ‘eucaliptização da floresta‘ está assim aberto. Com a proposta do governo (chamam-lhe ‘a Lei da Pasta’), que revoga “todas as restrições legais relativas à plantação ou sementeira de eucaliptos, designadamente nas proximidades de terrenos cultivados, terras de regadio, nascentes de água ou prédios urbanos” (Quercus), “assistiremos a uma diminuição das espécies florestais, à redução da biodiversidade, à alteração de diversos ecossistemas florestais e ao aumento da propensão para incêndios florestais” (Luís Fazenda).

A expansão ilimitada da Portucel requer, como é óbvio, a expansão ilimitada da monocultura do eucalipto (seremos obrigados a plantar eucaliptos nos nossos vasos nas varandas?).

A expansão ilimitada do capitalismo requer a expansão ilimitada do deserto que, em Portugal, é verde e inflamável.