Archives for the month of: Maio, 2013

Hoje no Le Monde:

Quatrième nuit d’émeute à Stockholm

Des pompiers éteignent un véhicule incendié, le 21 mai, à Kista, dans la banlieue de Stockholm.

Incendies de voitures, bris de vitres et jets de pierre : la Suède a connu, mercredi soir, une quatrième nuit de violences dans des quartiers défavorisées de la banlieue de Stockholm. Malgré l’appel au calme lancé par le premier ministre, les émeutiers sont à nouveau sortis dès la tombée de la nuit mercredi, les violences se déplaçant de Husby, au nord de Stockholm, vers le sud. La capitale suédoise avait déjà été touché par des troubles en 2010, avec l’attaque d’un commissariat et des incendies à Rinkeby, autre quartier défavorisé de Stockholm, par près d’une centaine de jeunes.

Le feu a été mis à un commissariat de police à Rågsved, dans la banlieue sud de Stockholm, a annoncé la presse locale. Il n’y a pas eu de blessé et le feu a pu être rapidement éteint. A Hagsätra, un autre quartier du sud de Stockholm, une cinquantaine de jeunes ont lancé des pierres à la police et brisé des vitres, pour ensuite s’éparpiller dans différentes directions. Des violences ont également eu lieu dans le sud du pays. A Malmö, deux voitures ont été incendiées, a annoncé la police.

Au total en quatre nuits, des magasins, des écoles, une commissariat de police et un centre culturel ont subi des dégâts. Un policier a été blessé dans les dernières violences et cinq personnes ont été arrêtées pour tentative d’incendie.

Les émeutes ont été déclenchées par la mort d’un homme de 69 ans dans la banlieue d’Husby, tué par la police alors qu’il brandissait une machette, ce qui a déclenché des accusations de brutalité policière. Les troubles se sont ensuite étendus de Husby, où vivent de nombreux immigrés, à d’autres banlieues pauvres de Stockholm.

Les émeutes sont pour l’instant moins graves que celles des deux derniers étés au Royaume-Uni et en France mais sont là pour rappeler que même dans des lieux moins touchés par la crise financière que la Grèce ou l’Espagne, les pauvres, et en particulier les immigrés, ressentent durement les politiques d’austérité.

“Je comprends pourquoi beaucoup de gens qui vivent dans ces banlieues et à Husby sont inquiets, en colère et préoccupés”, a déclaré la ministre de la justice, Beatrice Ask. “L’exclusion sociale est une cause très importante de nombreux problèmes. Nous comprenons cela.” Après des décennies de “modèle suédois” fondé sur un Etat providence généreux, le rôle de l’Etat en Suède a fortement diminué depuis les années 1990, entraînant la hausse des inégalités la plus forte de tous les pays membres de l’OCDE.

Près de 15 % de la population suédoise est d’origine étrangère – la proportion la plus élevée de tous les pays scandinaves. Le taux de chômage touchant cette population est de 16 %, contre 6 % pour les Suédois, selon les chiffres de l’OCDE. Le journal de gauche Aftonbladet qualifie “d’échec cuisant” les politiques gouvernementales, qui ont, écrit-il, soutenu le développement des ghettos dans les banlieues.

L’extrême droite a dénoncé une politique d’immigration “irresponsable”. Signe des tensions croissantes, les démocrates suédois se classent en troisième place dans les sondages en vue des élections législatives de l’an prochain.

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Favela sobre antiga ferrovia, Manila, 2007, Kounosu

Mike Davis deu este título ao seu livro magistral sobre a favelização do planeta, realidade que afecta 1 em cada 6 humanos, mas que é totalmente ignorada por economistas, jornalistas e políticos. O espectáculo que inunda os quiosques, as televisões e a internet tão pouco lhe presta qualquer segundo de atenção.

Isto é um rio! (que corre por baixo do lixo), Rio Citarum, Indonésia, sem data, foto: EPA

Duas décadas de neoliberalismo selvagem enriqueceram as elites como nunca antes. Mas fizeram com que de um mundo muito pobre, assente sobre a agricultura de subsistência, passássemos para um mundo miserável, assente sobre a vida em favelas ancoradas sobre metrópoles que cada dia se tornam mais desiguais e monstruosas.

Um banho no rio, Rio Yamuna, Índia, sem data, Manan Vatsyayan

O FMI e o Banco Mundial têm incrementado políticas pelo mundo fora que estão a gerar o maior monstro da história humana: a súbita e imparável favelização do planeta – gente sem água potável, sem latrinas onde mijar, sem hortas para comer, que não pode dormir descansada em casas inflamáveis, sempre prontas a desaparecer do mapa sem deixar outro rasto para lá da cinza.

Raramente um disco de música pop me toca, tão insensível sou. Aconteceu com este.

(Tocou-me, não exactamente lá no fundo, mas algures…)

COMUNICADO DE IMPRENSA

Crise da Biodiversidade: Mediterrâneo é a zona mais rica da Europa e aquela com mais espécies ameaçadas

 

Uma análise da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), de que a LPN é membro, revelou algo para que há muito vínhamos chamando a atenção: a zona mais biodiversa da Europa, o Mediterrâneo, está a ser fortemente impactada pela actividade humana e é nos países desta região que há maior quantidade de espécies ameaçadas. Portugal, Grécia e Espanha são os países com maior proporção de espécies ameaçadas de extinção: 21% das 2032 espécies avaliadas em Espanha estão ameaçadas, 15% das 1215 espécies avaliadas em Portugal estão ameaçadas e 14% das 1684 espécies avaliadas na Grécia estão ameaçadas. (…) A análise de IUCN debruçou-se sobre a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da Europa e conclui que a União Europeia tem muito trabalho pela frente para poder cumprir os objetivos da Estratégia para a Biodiversidade de 2020. Das espécies em extinção no continente distinguem-se os grupos: 59% dos moluscos de água doce, 40% dos peixes de água doce, 23% dos anfíbios, 22% dos moluscos terrestres e 20% dos répteis. Entre as principais causas de ameaça às espécies está a perda, fragmentação e degradação dos habitats devido à expansão agricola intensiva e híper-intensiva, expensão urbana, abandono de sistemas agrícolas de Alto Valor Ambiental (montados, estepes cerealíferas, pastagens extensivas, prados de montanha, olivais extensivos) construção de barragens e poluição das águas. A intensificação agrícola, reconstrução industrial e desregulamentação da legislação ambiental são algumas das apostas mais fortes para a recuperação económica nos países com maior biodiversidade, mas que mal feita e desordenada mais põe em causa as espécies ameaçadas na Europa. Os danos causados à maior riqueza que se encontra nesses países serão irreversíveis e de valor incalculável a médio-longo prazo. A LPN chama por isso a atenção a este importantíssimo estudo que deve ter um peso bastante relevante para as opções económicas a ser escolhidas pelos governos europeus. A riqueza de biodiversidade é um valor inestimável, com serviços prestados aos ecossistemas naturais e humanos, às actividades agrícolas e florestais, ao turismo e à saúde pública. Lançar países em projectos que acelerarão a destruição destes valores naturais é retirar às gerações futuras o património natural que herdámos das gerações passadas, inviabilizando também o futuro dos países em causa. A aposta na conservação e na promoção da riqueza ambiental é um caminho importante a escolher nas soluções para a crise económica.

A Direcção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza Lisboa, 9 de Maio de 2013

Sao Paulo, Felipe Sahd, 2009

São Paulo, 2009, Felipe Sahd (via flickr)

, nanjing, 2005

Nanjing, China, 2005, Dieter Weinelt (via flickr)

Martin franke

Nanjing, China, 2005, Martin Franke (via flickr)

Lagos, Nigeria

O que seria dos carros, viadutos e auto-estradas, e de tantas outras vedetas das nossas paisagens, se assim não fosse?

Mas onde iremos um dia ocupar todas estas pessoas completamente normais, com muito cérebro e pouca estética, quando “os ganhos de produtividade, a deslocalização, a mecanização, a automatização e a digitalização da produção progrediram de tal modo que reduziram a quase nada a quantidade de trabalho vivo necessário à confecção de cada mercadoria” (Comité Invisible)?

[parece que a Católica removeu do Youtube o vídeo sobre a Católica]