3456374_3_aded_anatoly-kucherena-a-indique-a-l-avocat-du-pere_1c38239e96db2f028e603b61f1755c53

É costume chamarem ‘sociedade da informação’ ao mundo em que vivemos. Uns, a esmagadora maioria, acreditam na ‘alcunha’. Outros, talvez uma meia dúzia, riem-se; e não conseguem parar.

Ora, nesta sociedade em que a chamada ‘informação’ está de facto 24h ligada à corrente, dá-se uma circunstância caricata: assim que alguém tem em seu poder um conjunto de verdades, cuja divulgação permitiria conhecer em profundidade um qualquer detalhe do estado da economia, da política, da cultura ou da sociedade, esse perigoso alguém é perseguido pelos poderes a que se submete a dita ‘sociedade da informação’.

Edward Snowden obteve hoje asilo temporário na Rússia. Singela (e inesperada) vitória para a verdade, num mundo que a combate com afinco, desde logo em cada noticiário.

O segredo generalizado mantém-se por detrás do espectáculo, como o complemento decisivo daquilo que ele mostra e, se aprofundamos mais as coisas, como a sua mais importante operação.

O simples facto de estar a partir de agora sem réplica deu ao falso uma qualidade completamente nova. É ao mesmo tempo o verdadeiro que deixou de existir quase por todo o lado ou, no melhor caso, viu-se reduzido ao estado de uma hipótese que nunca pode ser demonstrada. O falso sem réplica acabou por fazer desaparecer a opinião pública, que de início se encontrava incapaz de se fazer ouvir; depois, rapidamente em seguida, de somente se formar. Isto acarreta evidentemente importantes consequências na política, nas ciências aplicadas, na justiça, no conhecimento artístico.

(Guy Debord no seu ‘Comentários à Sociedade do Espectáculo’ de 1988)