Orlando Ribeiro escrevia com genialidade, numa das mais belas passagens de Geografia e Civilização, a propósito de um dos últimos artesãos alentejanos que ainda fabricava talhas de barro para armazenar vinho, numa altura (1960) em que já praticamente não havia compradores para estas admiráveis vasilhas:

“… fala com entusiasmo  do trabalho e a melancolia de quem vê acabar consigo uma ‘arte’ que serviu com habilidade e com amor. Este sentimento, tão vivaz no artesanato tradicional, não se encontra nos operários que executam, com gestos monótonos e mecânicos, as tarefas das indústrias modernas. Com a morte daqueles ofícios, que se tornam antieconómicos pela concorrência delas, desaparecem valores humanos que ninguém cuida em preservar ou substituir.

Orlando Ribeiro, in Geografia e Civilização – Temas Portugueses

Fábrica da Nike, China