Archives for category: Cultura material

BANCO madeira+betão almada

BANCO madeira+betão almada1

[Fotos de A. Morgenstern, em Almada, 2014]

Um pouco por todo o país, o fenómeno em curso e já aqui tratado da feudalização do território é geralmente acompanhado pela exportação de um mau gosto que os betinhos das cidades fazem chegar à província, às aldeias, ao campo.

Em tudo o que as mãos destes betinhos tocam, aparece esse mesmo mau gosto que reproduz uma curta gama de clichés, frequentemente associados a uma ideia cristalizada do ‘rústico’.

Ora, o ‘rústico’ é precisamente uma invenção dos betinhos das cidades que, quando chegam à província, ao campo, decoram as suas casas de fim de semana e hotéis de acordo com uma estética campestre idealizada. Uma estética campestre filtrada pelo imaginário rudimentar dos betinhos que, secretamente (ou cada vez menos secretamente), gostariam que o país voltasse ao que era antes de 1974.

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

 

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

Lisboa, 2013, A. Morgenstern

 

A falsificação é um dos traços que melhor definem a sociedade do espectáculo em que vivemos. Nela, os buxos são de plástico e os vasos cerâmicos também.

O único brilho a adornar as derivas dos transeuntes é made in China.

E eis que, no meio da maior miséria, ela irrompe:

“(…) o chão era em cimento, era muito insalubre, depois quando chovia os pais tinham que se levantar porque com a degradação das casas já nos chovia em cima. Punham plástico. Foram realmente uns anos dramáticos (…) A nossa felicidade existia porque nos dávamos muito bem com todos [no bairro]”.

Relato de Jorge Fonseca, sobre o seu passado no bairro da Relvinha em Coimbra (nos anos 50/60), recolhido por João Baía e publicado em ‘SAAL e autoconstrução em Coimbra’ (pág. 54), 2012, edição 100 Luz.

(A experiência diz-me que, no meio do isolamento a que conduzem o luxo e do fausto, a felicidade se converte num bem mais raro…)

Txumu2008

Monsanto, 2008, Txumu (flickr)

Andrew Jones 2009

Monsanto, 2009, Andrew Jones (flickr)

Joao Leitao 2012-3

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

Joao Leitao 2012

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

Joao Leitao 2012-2

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

JP Nogueira 2009

Monsanto, 2009, JP Nogueira (flickr)

Karlos Garciapons 2012

Monsanto, 2012, Karlos Garciapons (flickr)

Moacirdsp2013

Monsanto, 2013, Moacirdsp (flickr)

Ao contrário de Lisboa, em Berlim existe mobiliário urbano interessante sem acabar. Um motivo apenas, entre tantos outros, que fazem da capital alemã a melhor cidade europeia para se viver (perdoem-me os leitores londrinos deste blog) – apesar do boom recentemente verificado na especulação imobiliária em bairros que há menos de uma década estavam acessíveis a todas as classes sociais, incluindo aquela a que eu pertenço.

Há um banco que todos em Prenzlauer Berg conhecem e que é muita coisa ao mesmo tempo: cómodo, prático, moderno, clássico, artificial, natural, orgânico, robusto, airoso…

Praticamente sozinho, este banco define um lugar. Um lugar aos esses…

Banco em ziguezague, 2008, Andrea Morgenstern

Banco em ziguezague, Berlim, 2008, Andrea Morgenstern

O banco arrasta-se como uma serpente, o que não deixa de ser curioso: trata-se de um local para o repouso, ou seja, para acolher a inibição de movimento, mas que tem um movimento, um balanço, um ritmo muito próprio.

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

E eis que, ao mais pequeno sinal de vida dado pelo Sol, o banco se torna um inevitável ponto de atracção para as vidas de centenas de berlinenses.

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

Banco..., Andrea Morgenstern

Banco…, Andrea Morgenstern

Lar para idosos, Barcelona, 2012, A. Goulà

Lar para idosos, Barcelona, 2012, A. Goulà

Cemitério de Antofagasta, Chile, 2010, M. Valderrama

Cemitério de Antofagasta, Chile, 2010, M. Valderrama

Urbanização de Carabanchel, Madrid, 2009

Urbanização em Carabanchel, Madrid, 2009

Cemitério de Merida, México, 2007, E. S. Paul

Cemitério de Merida, México, 2007, E. S. Paul

Para onde fugir quando o racionalismo/funcionalismo da arquitectura cemiterial contagiou a arquitectura civil e quando é mais fácil descobrir sinais de vida num cemitério a abarrotar de mortos do que na estéril e anti-bacterial arquitectura dita ‘do nosso tempo’?

Não é preciso muito dinheiro para investir na transformação da experiência que os transeuntes possuem da cidade onde vivem.

É justamente quando o capital, com a sua lógica da multiplicação infinita, deixa de ser o actor central da urbe, que esta mais se abre à imaginação e à fantasia. Ora, não é por acaso que o espaço urbano de Berlim, cidade das mais endividadas da Alemanha e possivelmente de toda a Europa, tem sido alvo de intervenções que, embora muito pontuais, transformam profundamente a vida na urbe, dando-lhe perspectivas e possibilidades novas.

Estrado de madeira inserido em canteiro, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Estrado de madeira inserido em canteiro, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Algum do melhor mobiliário urbano não predefine à partida os seus possíveis usos. É o caso de uns estrados de madeira que estão a aparecer em vários pontos da capital alemã, nomeadamente em Prenzlauer Berg, que é de onde provêm os exemplares que as fotos procuram ilustrar.

Caracterizam estes estrados precisamente uma enorme capacidade de se moldarem e apresentarem utilidade variada, uma notável flexibilidade que advém do facto de poderem ser aproveitados de diferentes maneiras por diferentes pessoas.

Estrado em recanto de jardim, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Estrado em recanto de jardim, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Estrado em acção, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Estrado em acção, Berlim, 2012, Andrea Morgenstern

Ontem:

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Hoje:

Detalhe de fachada, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

Detalhe de fachada, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern

 

..., Porto, 2012, Andrea Morgenstern

…, Porto, 2012, Andrea Morgenstern