Archives for category: Portugal
Txumu2008

Monsanto, 2008, Txumu (flickr)

Andrew Jones 2009

Monsanto, 2009, Andrew Jones (flickr)

Joao Leitao 2012-3

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

Joao Leitao 2012

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

Joao Leitao 2012-2

Monsanto, 2012, João Leitão (flickr)

JP Nogueira 2009

Monsanto, 2009, JP Nogueira (flickr)

Karlos Garciapons 2012

Monsanto, 2012, Karlos Garciapons (flickr)

Moacirdsp2013

Monsanto, 2013, Moacirdsp (flickr)

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Para 9 milhões é mais ou menos assim:

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Para 1 milhão:

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Para 100 mil:

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E para mil não há-de fugir muito disto:

Esse país chama-se Portugal e o seu governo, que professa aquela corrente do não-pensamento segundo a qual ‘tudo o que existe pode e deve ser vendido às novas elites feudais‘, acaba de inaugurar um portal para atrair compradores chamado

O seu país está à venda em http://www.livinginportugal.com/en/

Encontre o seu país à venda em http://www.livinginportugal.com/en/

e conheça os benefícios fiscais (sim, afinal este governo também sabe conceder benefícios fiscais!), bem como todas as outras estratégias e imagens usadas para seduzir potenciais compradores:

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E descubra assim mais um projecto do governo para 2013, ano a vários títulos promissor: destinar os territórios mais privilegiados de Portugal a feudos das elites internacionais.

Definitivamente, o feudalismo entrou na moda – um novo género de feudalismo, é claro, mas que reproduz as mesmíssimas desigualdades no acesso aos recursos do território do feudalismo medieval. Acho que é um bom tema para irmos explorando ao longo de 2013. Já que mais ninguém o faz…

Um blog e uma associação com todo o interesse e uma missão muito simples:

“Divulgar, dignificar e proteger o património arbóreo de Portugal, com a participação de todos.”

Navegue por este blog e encalhe nas suas inacreditáveis fotografias de árvores espantosas, saídas de livros de contos de fadas:

http://www.arvoresdeportugal.net/

Na aldeia onde vivo, há cinco anos ainda existiam três padarias a produzir diariamente pão, algumas a lenha. Uma estava a quarenta metros de casa. Hoje não resta nenhuma porque a ASAE prefere que os meus filhos comam Panrico ao pequeno almoço. Um vendedor muito conversador que, de tempos a tempos, costumava aparecer na sua carrinha a vender roupa ‘made in Portugal’ (por 25,00€ vendia umas calças de lã que, para lá de durarem uma eternidade, faziam com que graus negativos parecessem uma braseira) acabou com o negócio.

Na cidade mais próxima, o barbeiro onde costumava fazer a barba já fechou as portas. Nessa mesma cidade, a única pastelaria “que ainda fabrica pastéis à moda antiga”, como diz o pasteleiro, foi posta à venda. E o café centenário onde às Segundas bebo o meu poejo fecha na próxima semana; a taberna na rua ao lado com a sua atmosfera acolhedora e familiar em 2013 tão pouco terá as portas abertas.

Há todo um Portugal que silenciosamente está a desaparecer. Rapidamente. Os pequenos comerciantes com os seus antigos negócios dão lugar às multinacionais dos shoppings que os média (através de 3000 impactos publicitários diários por habitante) impõem, com as suas mercadorias ‘usa-deita-fora’ produzidas na Ásia.

 

Há uma lista que põe tudo às claras.

Já todos os meus leitores terão certamente reparado que o mau gosto mais escandaloso e medonho impera nesta terra, nela encontrando um solo particularmente fértil para a sua propagação rápida, instantânea, automática. Dos cenários pimba dos telejornais da sic, aos interiores brega das casas das novelas da tvi, passando pela arquitectura assustadora e monstruosa dos centros comerciais (que assassinaram o comércio de rua) e a roupa cafona da irmã do Cristiano Ronaldo, impera uma estética muito própria – mas pelos piores motivos.

Quantos de nós não pensámos já em emigrar, em fugir daqui p’ra fora, sem sabermos exactamente porquê? (E quantos de nós não chegámos mesmo a fazê-lo? Infelizmente, ao fim de três anos, percebi que o mau gosto alemão, bem diferente do nosso, tão pouco me fazia sentir cómodo naquelas paragens… Parece que o mau gosto é um mal geral do tempo em que vivemos, se bem que neste espaço chamado Portugal ele seja preocupantemente dominante.)

O mau gosto, pois é. Um motivo obscuro, oculto, mas decisivo para fazer-nos sentir incómodos, desconfortáveis aonde vivemos. Para instigar-nos a mudar de vida.

Atentemos agora nesta imagem aparentemente banal, mas sintomática e reveladora.

Entrada para a feira Expo Jardim, Batalha, 2012, Andrea Morgenstern

Nada de especial, caro leitor? Não é bem assim. De todo o infinito e maravilhoso potencial que subjaz à criação de jardins, foi esta miserável imagem a escolhida para dar as boas-vindas a quem visitava uma feira nacional para profissionais do ramo de jardinagem: a feira anual que reúne os principais operadores portugueses nesta área profissional.

Mas o que vemos exactamente nesta imagem? Uma clareira (apenas com uns míseros tufos de flores horrorosas) que se abre num relvado (mais ou menos desgraçado) com o fim de sublinhar a presença de uma insignificante e raquítica planta de aspecto tropical. Ora, quando nos aproximamos do edifício e nos deparamos com ela, perdemos instantaneamente o estímulo para continuarmos a trabalhar neste triste paraíso do mau gosto chamado Portugal.

Ainda por cima, e ao contrário por exemplo do espampanante mau gosto espanhol, o nosso mau gosto é deprimido e triste. Produz as paisagens insípidas e desoladas em torno das quais giram as nossas vidas.

Desta vez, fazer a revolução (e vê-se cada vez mais povo a mobilizar-se para isso) terá de significar também refazer as paisagens do nosso dia-a-dia: enchê-las da magia que falta hoje na vida da maioria de nós.

Vale a pena ver aqui o documentário que examina minuciosamente a árvore genealógica da grande família que domina o centro do poder (económico e político) contemporâneo em Portugal.

Autóctones na América do Sul, os jacarandás ajudam a definir a paisagem de cidades como Buenos Aires ou Montevideo.

Debaixo de um jacarandá, Lisboa, 2012, Andrea Morgenstern

Como tantas outras importações que marcam a paisagem da nossa elegante Lisboa, também por cá eles revelam os seus encantos. Principalmente nesta época do ano, em que o azul violeta das suas flores introduz novas tonalidades no céu ou simplesmente salpica, a pinceladas grosseiras, as calçadas que pisamos.

Jacarandás com o Tejo e o céu como fundo, Lisboa, 2012, Andrea Morgenstern

As sombras dos seus ramos produzem pinturas efémeras no chão, cuja beleza desconcertante (não será, aliás, toda a beleza efémera desconcertante para o homem [sempre obcecado em conservar ad aeternum ‘o belo’ nos seus museus]?) leva facilmente à loucura todo aquele que se disponha a entregar-se livremente à sua linguagem sem idioma, a mesma que apenas os grandes improvisadores também conseguem criar na sua música:

Sombreado improvisado por jacarandá, Lisboa, 2012, Andrea Morgenstern

De portugal me gusta el aire decadente de viejo imperio perdido. Algo que también pasa de una forma insólita y que se puede respirar en el país. Los portugueses viven todavía en el recuerdo del imperio (pero un imperio que ellos creen refinado, no como los otros, en lo que es una de las fábulas de construcción nacional más absurdas pero que los portugueses creen sin répicla) y tienen un aire de noble venido a menos -lo que en españa fue el ya difunto hidalgo- o de lacayo de gran señor, fiel incluso cuando el señor ya hace mucho que no es señor de nada. Portugal es decadente, sí, y eso me gusta. Me gusta porque no es un decadencia en la que se vaya a quemar lo poco que queda, una decadencia obscena en la que la violencia de las pasiones aparece desbocada, si no una decadencia resignada, como de vela abandonada que se consume poco a poco, una decadencia casi triste. Todo eso es un tópico, lo se, pero lo bueno de Portugal es que es un tópico.” Roger

Jardim da Mitra, Valverde, Évora, 2011, Andrea Morgenstern

Jardim da Mitra, Valverde , Évora, 2011, R. Roca

Detalhe de fachada, Lisboa, 2011, Andrea Morgenstern

 

Porta, Lisboa, 2011, Andrea Morgenstern

Excerto retirado daqui.