Archives for the month of: Janeiro, 2012

calmamente, debaixo de uma inofensiva musiquinha ambiente, no interior do supermercado?

E se o mais bárbaro criminoso deste tempo fosse afinal o vulgar e insuspeito consumidor do hemisfério norte?

Aquele que, para satisfazer nada mais do que as suas ‘necessidades’, motivadas pelos 2500 impactos publicitários recebidos diariamente e em média por cada consumidor/espectador do Ocidente, contribui decisivamente para, em simultâneo, explorar a mão de obra do hemisfério sul (que, por ser mão de obra escrava, permite que mercadorias – como vestuário ou telemóveis – consumidas no hemisfério norte se tornem baratas), dizimar os recursos naturais do planeta (através por ex. das ultra-poluentes aquacultura e agricultura intensiva ou da apocalíptica pesca industrial que elimina os últimos sinais de vida dos oceanos) ou provocar guerras e conflitos em países ricos em matérias-primas mas economicamente pobres (que vêem as suas matérias-primas serem saqueadas para acalmar o apetite do consumidor do Ocidente, reproduzindo assim ad aeternum a sua pobreza : veja-se o caso da guerra no Congo pelo controle das minas de coltan, matéria necessária ao fabrico de equipamentos electrónicos).

foto sacada de modo selvagem da net

Enquanto existia o Bush, era sempre ele o culpado de todos os pecados das classes médias do Ocidente, como por ex. a dependência destas relativamente ao petróleo, que acabaria por determinar a invasão do Iraque. Agora que não temos mais o Bush para nos iludir dos nossos pecados, não deveríamos todos olhar para a merda que andamos diariamente a fazer no supermercado através das nossas escolhas nas prateleiras desse lugar chave, em torno do qual gira hoje todo o planeta? Por trás dessas escolhas, existem modelos de economia, de cultura e de sociedade. Escolher uma simples laranja, uma pasta de dentes ou um bife tem consequências tremendas para a economia, a cultura, a ecologia e a sociedade.

O que é geralmente barato na prateleira do supermercado tem custos sociais, culturais, ecológicos brutais. Achas que vale mesmo a pena comprares essas bananas da Chiquita ou essas postas de salmão norueguês/chileno de aquacultura que acabaste de enfiar no cesto de compras? E esses ténis da Nike?

A alternativa é simples, existe, e é cada vez mais fácil de encontrar: chama-se artesanato local e agricultura biológica; e está fora dos supermercados. Por trás dela, há trabalhadores que não são explorados, recursos naturais que não são contaminados, paisagens que não são arrasadas e não há guerras nem conflitos.

Tu escolhes o mundo em que queres viver!

(Não digas que a culpa é sempre dos outros; lembra-te: o reinado Bush já acabou.)

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Londres, 2011, Koenige

… mas, PELO AMOR DE DEUS, importas-te de dar notícias?

Hong Kong, sem data, Yiu

A fotografia, não menos do que o jornalismo, a sociologia ou o cinema documental, é uma forma possível e actual de falar da aldeia global, cada vez mais pequena em diversidade mas com proporções cada vez mais colossais, em que vivemos. De observá-la e descrevê-la. De colocá-la sob perspectiva.

De torná-la matéria para analisar criticamente; ou para simplesmente apreciar, sem despertar senão levemente o raciocínio crítico. Sim, também se pode apenas apreciar (sem entender grande coisa) um mundo inteiramente novo, onde, tal como nos é possível pressentir enquanto o apreciamos, nada será como dantes.

Paisagem urbana, China, sem data, Tim Franco

Skyline de Tóquio, sem data, Marcel Castenmiller

Hong Kong, sem data, P. López Luz

Chongqing, China, 2009, Liang Chen

Hong Kong, 2009, Paul Redican

Hang Hau, Hongkong, 2009, Clément Guillaume

Cais esquecido (mas preservado) na Ria Formosa, Luz de Tavira, 2011, Andrea Morgenstern

Falmer, Brighton, 2011, Zé Reis

Boa Fé, Alentejo, 2010, A. Catarina Barata

Ciutat Vella, Barcelona, 2012, Andrea Morgenstern

… passei a achar ridículo entrar num museu ‘a sério’ – daqueles em que se paga. Passados uns tempos, perdi a mania.

Mas às vezes ainda acho que esse meu capricho pós-adolescente não era assim tão pueril.

Baile na floresta, Alemanha, 2011, Andrea Morgenstern

E se o mundo lá fora, aquilo que também poderíamos chamar de ‘realidade’ – a que se opõe a noção de ‘virtualidade’ -, fosse afinal o mais original, rico e fecundo museu de que dispõe a humanidade?

Ria Formosa, Luz de Tavira, 2011, Andrea Morgenstern

Algures no Minho, 2011, R. Roca

quem ainda resista ao grande tsunami do ‘progresso’.

Mais sobre a resistência aqui.

Algures no Minho, 2011, A. Sucarrats